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segunda-feira, 25 de junho de 2012

Que elevadores são obrigados a ter comunicação bidireccional?

Curiosamente na mesma semana duas pessoas entraram em contacto comigo para tentarem perceber quais eram afinal os elevadores que eram obrigados a ter comunicação bidireccional.
Resolvi colocar aqui no blogue um texto sobre o assunto para que a informação possa ser útil a mais gente.

A legislação que regulamenta essa obrigatoridade (e muitas outras no que diz respeito às normas de fabrico de elevadores) é o Decreto-lei 295/98 que foi publicado em 22 de Setembro de 1998. Esse decreto tentava legislar em Portugal a Directiva 95/16/CE. Por isso, no mundo dos elevadores, os equipamentos instalados após essa regulamentação ficaram conhecidos por “elevadores da directiva”.

No Anexo I do dito documento, no seu ponto 5.5, pode ler-se — As cabinas devem ser equipadas com meios de comunicação bidireccionais que permitam obter uma ligação permanente com um serviço de intervenção rápida.

O Decreto Lei já referido entrou em vigor a 22 de Outubro de 98, 30 dias após a sua publicação, mas possui uma norma transitória que refere que até ao dia 30 de Junho de 1999 podem ser colocados em funcionamento elevadores que ainda não obedeçam às novas regras da legislação.

Quer isto dizer que todos os elevadores colocados em marca depois de 30 de Junho de 1999 têm de ter  comunicação bidireccional na cabina.

Mas como tudo em Portugal é relativo com o aproximar da data referida chegou-se à conclusão que havia elevadores que tinham sido encomendados às fabricas antes da publicação do decreto em Setembro de 1998, mas que não iriam ainda estar em funcionamento no dia 30 de Junho de 1999. Então foi permitido que cada instalador ou fabricante comunicasse à Direcção Geral de Energia quais eram esses casos, e assim criou-se uma lista de excepções que puderam entrar em funcionamento após 30 de Junho de 1999, mas que não tinham de obedecer à directiva.

Resumindo; em termos gerais todos os elevadores colocados em marcha após 30 de Junho de 1999 têm de ter comunicação bidireccinal. Não tendo estão ilegais ou terão de fazer parte de uma lista entregue à DGEG em que se prove que já estavam em montagem nessa data e que tinham sido encomendados ao fabricante antes da publicação do decreto em 1998.

Um pouco confuso, não é? Nada que surpreenda quem conhece bem o nosso Portugal.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Os elevadores e os terramotos

Quanto mais vou percorrendo os meandros do mundo dos elevadores, mais me assusto com o que pode ser uma má escolha destes equipamentos na hora da sua definição e compra.

Apesar de termos em Portugal zonas sísmicas de grande potencial, como são os casos dos Açores, região de Lisboa e Algarve, nunca soube de qualquer elevador que tenha sido instalado tendo em conta a menor preocupação de salvaguarda anti-sísmica.

Já aqui escrevi sobre a eminente norma europeia que vai trazer alguma legislação a esse campo, mas hoje o que quero relatar são as consequências dos terramotos nos elevadores instalados.

Volto hoje ao assunto porque tomei conhecimento de um relatório de danos sofridos pelos elevadores na região de Van, na Turquia, depois do terramoto de 2011, e porque ainda está na ordem do dia o recente terramoto no Norte de Itália.

O referido relatório, que ainda apenas li na diagonal, fala essencialmente em dois problemas que ocorrem com regularidade durante os tremores de terra. O facto de que a grande maioria dos contrapesos sai das suas guias e fica em risco de colisão com a cabina, e o facto que muitos contrapesos se desmancham e deixam cair os blocos de cimento e ferro no poço do elevador.

Se o primeiro problema é de consequências muito graves se alguém resolve utilizar um elevador após um abalo, e no momento em que a cabina e o contrapeso se cruzam esses dois elementos chocam, acontece a inevitável destruição da cabina. Isto também pode acontecer se durante o tremor o elevador está em funcionamento e não existe um corte de energia imediato.

O segundo caso é muito mais grave se no momento do acidente o contrapeso estiver acima do nível da cabina. A queda de blocos de ferro ou cimento com cerca de 30 quilos sobre o tecto da cabina é garantido que provoca a perfuração do mesmo e a lesão, ou morte, dos ocupantes da mesma. Quanto mais alto for o edifício, e o contrapeso mais distante estiver da cabina, piores consequências daí poderão advir.

Mas nada do que estou aqui a relatar, que é apenas uma pequena parte do que se sabe sobre esta matéria, é desconhecido para quem trabalha em elevadores. O que me surpreende é que ainda agora se continuam a instalar nas regiões sísmicas de Portugal elevadores incapazes de garantir a mínima segurança aos seus utilizadores em caso de terramoto.

Hotéis, Hospitais, e grandes edifícios comerciais e de serviços continuam a instalar elevadores seguindo regras que são perfeitamente desadequadas às suas necessidades.

Parece que existe uma vergonha instituída de consultar quem sabe para que nos possa aconselhar no momento da tomada das nossas decisões, e ainda um dia vamos ter um grande dissabor por não termos tido um pouco mais de cuidado com isso.

Todos os dias na minha actividade profissional deparo com pessoas que sabem muito mais de elevadores do que eu. Eu é que sei muito pouco sobre o assunto. Mas se tiver dúvidas e não tiver vergonha, não hesite em consultar os nossos serviços. Quem sabe não poderá aprender alguma coisa connosco.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

As “caixas negras” nos elevadores e escadas rolantes de Pequim

Por motivos de segurança as autoridades chinesas decidiram que todos os elevadores e escadas rolantes públicos de Pequim terão de estar munidas com uma “caixa negra” capaz de registar todas as falhas do equipamento, ao mesmo tempo que envia em tempo real toda a informação sobre um acidente ou avaria para a central de assistência e manutenção.
Dos cerca de 140.000 aparelhos que terão de ser adaptados até 2015, aproximadamente 35.000 têm mais de 10 anos e são considerados velhos pelas autoridades, que pensam que estes dispositivos vão ser capazes de melhorar a segurança dos utilizadores.
Na Europa e nos Estados Unidos esta decisão foi prontamente contestada pelas empresas de elevadores que afirmam em coro que a melhoria da segurança apenas pode ser garantida pela melhoria das capacidades técnicas dos operários que garantem a manutenção dos equipamentos.
Na minha opinião, apesar de ter muitas dúvidas sobre a possibilidade técnica de adaptar uma destas “caixas negras” em equipamentos antigos, as soluções são complementares.
A tele-monitorização tem vantagens sobejamente conhecias e outras desvantagens que também são do conhecimento de todos, e as vantagens de a manutenção ser feita por técnicos muito capacitados também não levanta dúvidas a quem quer que seja.
Infelizmente Portugal continua a não ser brilhante neste aspecto. Tem legislação sobre o número de visitas que a empresa de manutenção deve fazer ao elevador, e não tem qualquer controlo sobre as capacidades técnicas dos funcionários que estão no terreno.
Falo com conhecimento de causa se afirmo que uma parte dos “técnicos de manutenção” de elevadores que estão nas EMA não são capazes de ler um esquema eléctrico ou fazem a mais pequena ideia para que serve um multímetro. Partindo desta base não é fácil contestar a ideia das autoridades chinesas em relação ao que vão fazer em Pequim. Por vezes temos muito pouca capacidade para ver para além do nosso umbigo.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

As 2ªs Jornadas Técnicas - Elevadores

No próximo dia 15 de Junho, no Porto, vão realizar-se as segundas Jornadas Técnicas – Elevadores, organizadas pelo FIPP (Fundação do Instituto Politécnico do Porto), o ISEP (Instituto Superior de Engenharia do Porto) e a OE (Ordem dos Engenheiros).
No ano passado as mesmas jornadas foram, a meu ver, um êxito muito grande, porque tiveram a particularidade de iniciar uma discussão sobre um tema que até agora nunca tinha sido abordado num plano tão aberto.
O número de participantes foi elevado e, em geral, penso que as pessoas gostaram.
Este ano regressam os trabalhos e alguns dos temas que a organização ressalva podem ser bastante importantes.
As alterações à EN81, e as alterações previstas ao Dec-Lei 320 valerão por si a participação.
Pela minha parte lamento que não tendo podido estar presente em 2011, também este ano a data não é a que mais me convém, e possivelmente estarei mais uma vez ausente, mas não quero deixar de desejar os maiores êxitos à organização, e a recomendação do evento  a todos os interessados que possam participar.
Há sempre um lado crítico e pela minha parte lamento que a discussão se limite a constatar as alterações que alguém determinou, sem qualquer possibilidade de se alterar legislação que nem sempre defende os interesses dos proprietários dos elevadores.
Se no caso da EN 81 temos que perceber a nossa pequenez em relação à Europa (não nos devemos esquecer da imagem que temos de sermos sempre dos últimos a aplicar a legislação europeia, e no caso dos elevadores a SNEL é um dos casos bem evidentes), mas no caso do Dec-Lei 320 teria todo o interesse em que a discussão fosse muito mais antecipada.
Apenas vou referir que no novo decreto não se prevê que o absurdo das 12 manutenções anuais desapareça, e isto fica mais uma vez a dever-se a interesses políticos que têm a ver com as implicações de ordem sociais que essa alteração traria, e que nada interessam aos donos dos elevadores que continuam a pagar serviços que tecnicamente não lhes interessam ou protegem.
Era interessante discutir assuntos do interesse do dono do elevador, que é sempre a parte menos ouvida em todas decisões que se tomam no sector.
Se quiser saber mais deve consultar o endereço da organização em http://www.fundacao.ipp.pt/ascensores/jte2/

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Alguém reconhece vantagens nos elevadores hidráulicos sobre os elevadores eléctricos?

Actualmente tenho seguido com muita regularidade alguns debates internacionais nos fóruns de elevadores.
Algumas das situações debatidas estão muito longe da realidade do parque de elevadores típico de Portugal, e por isso nunca as irei transpor para esta página que se pretende próxima da realidade do nosso país.
Outras situações enquadram-se na nossa tipificação ou apresentam antevisões que não estarão longe no que se irá passar em Portugal.
Há já uns meses largos que aparecem vozes a antever o fim dos elevadores hidráulicos a curto prazo porque na ideia dessas pessoas este tipo de equipamentos não apresenta qualquer mais-valia para quem os adquire.
Eu próprio já várias vezes que menciono a minha desconfiança por este tipo de elevadores que são mais lentos, menos sofisticados, menos fiáveis, menos ecológicos, menos económicos (em consumo) do que os elevadores eléctricos.
Em situações muito específicas este tipo de elevadores pode ter alguma aplicação. No caso de algumas modernizações, alguns elevadores panorâmicos, aparelhos com acessos a 90º, e pouco mais, esta tecnologia pode ter aplicação pontual, mas nas restantes ocasiões é como estar a instalar máquinas a vapor para fazer o papel de um TGV.
Portugal ainda é um bom reino para quem vende este tipo de tecnologia. Somos um povo pouco informado e pouco dado a ouvir os conselhos de quem sabe mais do que nós. Se alguém aparecer a dizer que não deve instalar um elevador hidráulico, vai logo aparecer alguém a dizer que essa opinião só pode vir de quem está a soldo de quem vende elevadores eléctricos.
Ando nisto há muitos anos e nunca ouvi qualquer argumento a favor dos elevadores hidráulicos que não saísse da boca de quem os vende.
Alguém isento é capaz de me dar algum argumento a favor dos hidráulicos? Era interessante conhecer uma opinião nesse campo.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Os consultores na área de elevadores

Há uns dias começou num dos fórum internacionais de elevadores uma discussão muito engraçada sobre o papel dos consultores na área dos elevadores.
Como seria de esperar os elementos ligados às empresas de elevadores acham que os consultores são uns mal intencionados e que apenas servem para rapinar dinheiro aos seus clientes, os consultores têm uma opinião altamente depreciativa sobre as empresas de elevadores e sobre os seus métodos para vender aos clientes aquilo que querem e não aquilo que eles precisam, e os clientes (que estão nitidamente em minoria porque por norma não estão inscritos nestes fóruns) dizem que nem lhes passa pela cabeça tomar decisões sem consultar a opinião desses consultores especializados.
O que é interessante é que esta discussão iniciou-se com uma pergunta que basicamente tentava apurar qual a quantidade de negócio que era controlada ou intermediada pelos consultores. A questão foi colocada por um inglês, mas rapidamente reuniu opiniões de diversos outros países. EUA, Malásia, Índia, e Emiratos Árabes Unidos foram algumas das proveniências de comentários que tive a oportunidade de acompanhar.
Curiosamente os argumentos de todos os lados me pareceram válidos e muito interessantes.
Em relação aos argumentos em defesa dos consultores eles são fáceis de adivinhar e óbvios em termos de avaliar as vantagens, mas houve uma opinão de um fabricante que me pareceu muito interessante.
Ele contava que um consultor tinha previsto um dado número de elevadores com umas determinadas características para um edifício de serviços. A empresa fornecedora dos elevadores considerava os equipamentos insuficientes para o edifício em questão, mas a opinião do consultor prevaleceu perante o cliente.
Com o edifício em funcionamento verificou-se que o fabricante tinha razão e que os elevadores eram insuficientes. Nessa altura já ninguém se lembrava do nome do consultor e toda a gente reclamava com o fabricante. E apesar da culpa não ser rigorosamente dele a sua imagem é que ficou manchada e o problema passou apenas a ter o seu rosto.
Mas, para mim, que há muito conheço as vantagens e desvantagens deste serviço que é a minha actual actividade profissional, o que me surpreendeu verdadeiramente nesta discussão é todos concordarem que cerca de 60% das opções de compra e modernização de elevadores passarem pelo intermédio de um consultor.
Em Portugal esse número só não é zero porque ainda aparece um ou outro negócio com apoio em consultores externos, mas no seu conjunto de certeza que não chega a 1% do negócio feito no nosso país.
Ao longo da minha vida profissional numa empresa de elevadores, e apesar de nunca ter sido comercial, vendi mais de mil elevadores, e estive envolvido em contratos de muitos mais do que isso, e nunca me apareceu nenhum negócio em que o cliente tivesse o apoio de um especialista na matéria.
Penso que também isto denota o país que somos e a forma como nos posicionamos.
Quantas vezes saí de um negócio com a consciência de que o cliente tinha comprado um produto que não era aquele que mais lhe interessava. Mesmo quando se argumentava que ele deveria ter atenção às opções, o cliente desconfiava sempre do que se dizia, e acabava por optar muitas vezes por instinto. Quantas vezes deu asneira. E era tão óbvia essa asneira.
 Mude a sua mentalidade e pergunte a quem sabe. Recorrer a um consultor é quase sempre a forma mais barata de fazer escolhas inteligentes.

domingo, 15 de abril de 2012

Bloqueadores de portas de cabina

O acto de resgatar pessoas encarceradas em cabinas de elevador tem, por vezes, consequências mais graves do que o próprio encarceramento em si.
Acontece com relativa frequência que durante o processo de resgate, por não se cumprirem as normas desse acto, haver ferimentos e acidentes que em alguns dos casos são mortais.
Os acidentes mais vulgares e com piores consequências são a queda das pessoas no poço do elevador (já em tempos escrevi sobre isto em relação aos aventais das cabinas), mas também são frequentes os cortes nas chapas das portas quando as mesmas são forçadas, pés torcidos e partidos, e esmagamento pela súbita entrada em movimento da cabina.
Em alguns pontos do Mundo, nomeadamente nos Estados Unidos, os legisladores entenderam que o local mais seguro para as pessoas se manterem neste tipo de situação é no interior das cabinas, e como tal resolveram publicar regulamentos que obrigam os elevadores a serem dotados de um mecanismo que impeça a abertura das portas de cabina quando a cabina está fora da sua zona de segurança do patamar.
A Europa (em termos gerais), até este momento, ainda se mantém de fora desta opção.
Na minha opinião este regulamento é um verdadeiro pau de dois bicos. Se por um lado vai prevenir alguns dos acidentes que descrevi anteriormente, não prevê as consequências daquilo que se tem verificado em elevadores já equipados com este sistema.
O primeiro, e mais grave, é a impossibilidade se resgatar pessoas nas cabinas dos elevadores bloqueados em edifícios em que decorrem incêndios. Pelo que li já aconteceu nos Estados Unidos um acidente mortal há cerca de 15 dias. Este sistema só pode existir em edifícios em que os elevadores estão ligados a centrais de incêndio, e que desactivam o bloqueador em caso de disparo da central. Não é isso que se verifica neste momento.
O segundo problema é a claustrofobia que afecta uma grande parte das pessoas que fica bloqueada nas cabinas dos elevadores. A minha experiência diz-me que os problemas psicológicos e o elevado sofrimento que os momentos de prisão dentro de uma cabina de elevador, podem ser muito mais lesivos para alguns passageiros que o risco diminuto de se magoarem fisicamente.  
Para que o bloqueador de portas pudesse ser aplicado num elevador, deveria ser obrigatório a verificação de 3 itens; a) que a cabina estivesse dotada de sistema de ventilação forçada, b) que o espaço na cabina por passageiro fosse o suficiente para que toda a gente se possa sentar no chão durante o período de imobilização da cabina (para isso seria necessário diminuir para metade o número de passageiros actualmente permitidos por lei, e c) que a cabina estivesse dotada obrigatoriamente de um sistema de comunicação bidireccional de voz que fizesse o disparo da chamada automaticamente quando fosse detectada a imobilização da cabina fora do nível de piso.
Com estes requisitos satisfeitos a ideia pode ser interessante para a salvaguarda da segurança dos utilizadores, mas até isso se verificar tenho muitas dúvidas quanto aos benefícios de tal dispositivo.