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terça-feira, 7 de junho de 2011

O botão do elevador para a saída de emergência de um edifício.

Nos meus contactos com proprietários, utilizadores, técnicos, e gestores de elevadores, e quase como provocação, comecei a ganhar o hábito de perguntar para que servia o símbolo da estrelinha ou asterisco que aparece nas (apenas algumas) botoneiras de cabina dos elevadores.

Se eu já desconfiava que grande parte das pessoas não fazia a menor ideia do que tal representava, depois de ganhar esta mania então ainda mais surpreendido fiquei com o quase total desconhecimento que encontrei.
O mais curioso é que mesmo junto de pessoas que trabalham há anos no mundo dos elevadores, encontrei uma percentagem muito elevada de gente que nunca tinha sequer reparado no dito asterisco ou estrelinha.

Não interessa aqui mencionar a legislação que regulamenta a existência de tal símbolo, nem tampouco o que se pensou inicialmente que esse tipo de comando pudesse vir a fazer, mas apenas dar conhecimento aos eventuais leitores deste texto a uma funcionalidade importante que está disponível para os utilizadores dos elevadores.
Alguém pensou, e bem, que nem sempre o utilizador de um elevador tem conhecimento num edifício de qual é o piso de evacuação directa para a rua. Isso acontece vulgarmente em edifícios comerciais que possuem entradas e acessos em diferentes níveis, com parques de estacionamento em pisos intermédios e outras soluções arquitectónicas que podem baralhar os frequentadores que estiverem menos familiarizados com o prédio.
Assim resolveu-se criar um botão (ou assinalar de uma forma relevante o piso de saída para a rua) que fosse portador da indicação de que servia para conduzir o utilizador para o piso que lhe permita sair do edifício. Esse botão passou a ser representado por uma estrela ou um asterisco.
Qualquer utente de um elevador que esteja equipado com esta sinalética sabe que se pressionar esse botão o elevador o irá conduzir ao piso de evacuação. É um excelente indicador de segurança em caso de se encontrar num edifício do qual desconhece os pormenores.
Outra solução que se encontrou para conseguir o mesmo efeito foi dar um relevo extraordinário, e uma cor diferente, ao botão do piso de saída. Por isso é vulgar encontrar elevadores em que esse botão é diferente dos restantes.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

A corrente de compensação.

Para que se consiga o menor esforço mecânico por parte do grupo motriz de um elevador, é necessário que no momento da construção do elevador se respeite o princípio de que deve haver um equilíbrio entre o peso da cabina e o peso do contra-peso do elevador.
A forma de se verificar essa situação é calcular o contra-peso de maneira a que ele pese o equivalente ao peso da cabina mais metade da sua capacidade de carga.
Para ser mais claro, e dando um exemplo, se uma cabina pesar 800 kg. e a sua capacidade de carga for de 1000 kg. , então o contra-peso deve pesar 1300 kg (800+1000/2).
Verifica-se este equilíbrio quando se coloca a cabina, com metade da sua carga, e o contra-peso ao mesmo nível e, soltando-se o travão da máquina, não há deslocação dos elementos para cima ou para baixo.
Sempre que se altere por qualquer motivo o peso da cabina (por exemplo por alteração da decoração) o contra-peso tem de ser corrigido em igual valor.
O desequilíbrio acentuado desta regra causa esforços muito grandes nas máquinas de tracção dos elevadores provocando desgaste antecipado dos seus componentes, e, sobretudo, causa enormes problemas no sistema de travagem especialmente quando a cabina está posicionada nos dois extremos do seu curso.
Em algumas situações não muito raras pode-se verificar que a cabina não consegue parar no seu nível exacto, e atinge os fim-de-curso  superior e inferior deixando encarcerados os seus ocupantes.
Mas em edifícios de altura significativa, ou quando se trata de elevadores de cargas muito grandes e que por isso possuem cabos de suspensão mais grossos e pesados, o peso dos cabos de aço altera o equilíbrio entre a cabina e o contra-peso quando estes se encontram em extremos opostos.
Para se ter uma ideia, quando a cabina se encontra no último andar, o contra-peso está no nível mais baixo, e todo o peso dos cabos de aço está do lado do contra-peso. Para enviar a cabina para baixo a máquina vai ter de puxar para cima não só o peso do contra-peso como o peso dos cabos de suspensão. O equilíbrio perdeu-se por completo.
A solução é muito simples. Entre a parte de baixo da cabina e a parte de baixo do contra-peso é colocada uma corrente de ferro que passa a contrabalançar o peso dos cabos de suspensão. Solução milagrosa mas de muita utilidade no funcionamento e preservação da vida do elevador. (ver representação a vermelho no esquema apresentado)

Infelizmente muitos técnicos de elevadores não entendem bem a utilidade da corrente e, ou não chegam a fazer a sua instalação na montagem do elevador, retiram-na do elevador. Realmente em algumas instalações a corrente, apesar de estar metida dentro de uma mangueira, faz algum barulho de fundo que pode ser incomodativo, mas as vantagens que trás são tão grandes que não se deve ter dúvidas em relação à sua utilização.
Se tiver dúvidas em relação a este assunto, consulte a HAPE.

Contactar a HAPE

Percebi que as pessoas que vão acompanhando este meu blogue, e que não querem fazer comentários aos textos, têm dificuldade em comunicar comigo.
Foi um lapso nunca ter deixado um endereço de e-mail que pudesse servir para esse fim.
Hoje corrijo esse lapso e aqui deixo o endereço de contacto. geral.hape@gmail.com
Apesar de a HAPE ser uma empresa, e como tal cobrar pelos serviços que presta, não me importo de me pronunciar sobre assuntos que alguém deseje ver abordado em termos genéricos. Obviamente não me pronuncio sobre situações especificas salvo se for num âmbito profissional, mas até seria interessante tentar que os meus escritos se possam aproximar daquilo que as pessoas desejam ver esclarecido.
Tem sido curioso analisar que há visitas diárias, ao blogue, originárias do Brasil. Era interessante que alguém do Brasil quisesse deixar alguma opinião sobre os problemas que, por lá, são mais correntes com os elevadores.
Quando iniciei este blogue pretendia que ele fosse um registo das minhas posições técnicas e profissionais sobre o mundo dos elevadores. Queria que ficassem registadas as minhas opiniões para que no futuro ficasse bem claro a minha orientação profissional como consultor e gestor nesta área dos elevadores.
No início o blogue tinha uma ou duas visitas diárias e por isso era quase insignificante a participação dos visitantes. Hoje em dia já há uma média diária de visitas na ordem da meia centena, e começa a ser possível pensar em ter alguma interactividade com esses visitantes.
Aguardo e agradeço a vossa participação.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Modernizar a alma e o corpo.

A modernização de um equipamento acontece quando esse equipamento passa a ser dotado de capacidades ou serviços que não tinha antes da intervenção.

Quer isto dizer que se se trocar uma máquina a um elevador mas que a máquina nova instalada tenha as mesmas características da velha, estamos a proceder a uma reparação. Só se considera modernização se a nova máquina instalada tiver características diferentes da anterior. Por exemplo passar de uma velocidade de 1 metro por segundo, para 1,25 metros por segundo.
Numa próxima oportunidade irei falar nas consequências das modernizações dos elevadores no seu enquadramento legal, e a necessidade que há de em determinadas modernizações proceder-se a uma inspecção extraordinária do aparelho.
Hoje quero abordar a questão das modernizações na óptica do utilizador.
As modernizações são ponderadas no momento em que se chega à conclusão que o equipamento em questão não está capaz de manter o mesmo perfil e continuar operacional.
Ou porque a legislação o determina, ou porque os componentes estão descontinuados e não podem ser substituídos, ou porque a performance do elevador é insuficiente, ou porque o edifício mudou de função e necessita de outro tipo de características, ou apenas porque o mesmo se tornou desconfortável ao utilizador.
Mas é muito importante que se entenda que quando se toma a decisão de modernizar um equipamento se entenda que vamos relançar a vida desse elevador em mais uma série de anos, e o trabalho de revitalização só é conseguido quando se melhora não só a parte funcional do aparelho, como também a sua parte visual.
Tem de haver a nítida percepção que houve uma intervenção capaz de relançar a confiança dos utilizadores naquele elevador, e isso consegue-se quando essa obra é notada imediatamente no momento em que voltamos a utilizar o equipamento.
Arranques mais suaves, portas menos ruidosas, luz alterada, espelhos modificados, substituição do piso, botoneira mais apelativa, etc. são pormenores que devem ser pensados no momento da modernização. São estes (e outros) pequenos detalhes que fazem com que seja relançada a confiança no renascimento daquele elevador.
Por curiosidade faço uma pausa para falar na substituição do piso. A maior parte das pessoas desconhece que, por causa da timidez, mais de 70% das pessoas que utilizam um elevador em conjunto com desconhecidos fazem parte da viagem com os olhos pregados no chão, e que o tipo de piso é fundamental para transmitir sensações de conforto e comodidade.
O gestor de um elevador sabe que a vida do seu equipamento é composta dos anos antes da modernização e dos anos após a modernização. A escolha da modernização a realizar deve ser uma situação bem ponderada e acompanhada senão corre-se o risco de haver um desperdício total no investimento realizado.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Elevadores sem botões na cabina.

No último artigo que coloquei aqui no blogue abordei alguns tipos de comandos de elevadores que existem no mercado.
Claro que há muitas outras soluções de comando com graus de sofisticação mais elevada do que aquela que estamos habituados a ver em edifícios normais.
Actualmente estão em grande implementação os comandos de elevadores que gerem as manobras através das ordens de patamar, e por esse facto as cabinas deixaram de ter botoneiras no seu interior.

O princípio básico é muito simples. O passageiro quando se aproxima da bateria de elevadores (normalmente este tipo de comando só faz sentido com uma bateria de elevadores) encontra uma botoneira única onde regista o piso para que se deseja deslocar. Se estiverem em grupo, cada pessoa deve transmitir a ordem individualmente.
O comando vai decidir qual o elevador que vai fazer esse transporte, e essa informação é dada através de um display onde aparece a informação do elevador onde se deve dirigir. Uma vez dentro do elevador a viagem é feita directamente para os pisos que foram previamente seleccionados.
O comando também determina quando uma cabina está completa, e nesse caso vai indicar outro elevador para as pessoas seguintes que se queiram dirigir ao mesmo piso.
Este sistema reduz em mais de 20% o número de arranques de uma bateria de elevadores, e pode poupar em energia qualquer coisa como 5%. Além disso reduz muito o tempo de espera nos patamares, dado que há uma decisão do comando em manter as cabinas, que não estão a ser utilizadas, distribuídas ao longo dos pisos do edifício, fazendo com que exista uma cabina sempre por perto.
É ainda possível adaptar a este tipo de comando um identificador pessoal com atribuição de privilégios. Para utilizadores habituais do edifício (funcionários, moradores, hospedes de hotel, etc.) é entregue um aparelho (normalmente com a forma de um porta-chaves, ou cartão magnético) que dispara automaticamente a ordem ao elevador quando o portador se aproxima. Se o administrador de uma grande empresa que tem o seu escritório num determinado piso de um edifício se aproxima do elevador, o elevador reconhece essa pessoa, automaticamente dispara a ordem de enviar a cabina para esse piso, e pode, inclusive, transformar esse elevador em expresso, deixando de receber outros passageiros nessa viagem.
Para muitos estou a descrever algo próximo da ficção científica, mas este tipo de equipamentos já existem em Portugal instalados em alguns edifícios topo de gama.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Comandos de elevador.

A coisa que mais irrita alguém que perceba o mínimo de elevadores, é ver alguém carregar nos dois botões (para cima e para baixo) de chamada de um elevador ao mesmo tempo.
Existem diversos tipos de comandos de elevadores, desde o mais simples de todos, o universal, que se limita a obedecer a uma ordem de cada vez, aos sofisticadíssimos comandos por identificação do utilizador. Destes últimos vou escrever noutra ocasião, hoje falarei apenas daqueles comandos que no dia-a-dia se cruzam com a maioria dos utilizadores.
Nos elevadores muito antigos ainda se conseguem encontrar comandos universais, ou quase. São comandos que se entrarem no elevador dois vizinhos de andares diferentes, o comando irá aceitar a primeira instrução que lhe for dada, e só depois dessa manobra realizada é que se irá poder dar outra informação. As manobras de dentro da cabina são sempre prioritárias e só são aceites chamadas dos patamares quando a cabina está vazia. Estamos no reino da pré-história.
Um pouco mais evoluídos são os comandos que funcionando basicamente da mesma forma já são capazes de “fixar” uma série de informações, e a cabina irá parar sucessivamente em todos os pisos que tiverem sido registados na botoneira de cabina. Já possuem uma ligeira memória.
Mais vulgares são os comandos colectivos à descida. São os comandos que equipam o grosso dos elevadores de habitação e partem dos seguintes pressupostos: 1- A entrada do prédio dá-se pelo piso 0 que está a nível inferior aos pisos de habitação. 2- Não há utilizadores de viagens entre pisos. 3- Todo o utilizador que chama o elevador de um dos pisos de habitação, quer descer.
 Este comando faz com que quem chegue a casa seja transportado directamente para o seu piso, mas se houver três moradores a quererem sair de casa ao mesmo tempo, o elevador irá parar a recolher cada um deles à descida. Inteligente, simples e eficiente.
A este nível já começam a aparecer comandos mais sofisticados que pelo peso da cabina decidem se obedecem ou não a uma ordem (se não couber mais ninguém, a cabina não para), e, no caso de se tratar de uma bateria de elevadores, a informação passa para o elevador ao lado.
 Este comando tem a variante invertida, isto é, o colectivo à subida, que é utilizado em prédios em que a entrada se dá pelo telhado (em prédios construídos em arribas isso é vulgar), e em alguns serviços de hotelaria que possuem restaurantes ou piscinas nos telhados.
Nos edifícios públicos, em que há muito movimento entre pisos, utiliza-se um comando colectivo à subida e descida. Para que isto possa funcionar tem de se colocar em cada piso intermédio (nos pisos extremos não faz sentido) não um, mas dois botões de chamada. Um botão para quem deseja subir, e outro para quem quer descer.
Com este comando consegue-se um escoamento de tráfego muito bom, e o tempo de espera nos patamares baixa consideravelmente.
O pior é que há muitos utilizadores que não sabem usar este tipo de comando, e a primeira coisa que fazem é carregar no botão de subir e descer ao mesmo tempo, independentemente da viagem que desejam fazer. O que acontece é que tudo o que este comando tem de positivo se perde com este tipo de atitude.
Por diversas vezes ouvi referir que há estudos de algumas marcas de fabricantes que apontam para uma má utilização do comando em 20% das vezes, e que isso conduz a 10% de manobras desnecessárias nestes equipamentos. Desconheço o fundamento destes números, e nunca vi nenhum estudo sobre o assunto, mas pela minha experiência pessoal acredito que a verdade não estará muito longe desses valores.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Como se calculam os elevadores a instalar num edifício?

Foi a invenção dos elevadores, ou mais correctamente a garantia de que os mesmos eram falíveis e seguros, que permitiu a maior revolução arquitectónica do último século. A construção em altura e o aparecimento dos arranha-céus.
Os elevadores têm de garantir a mobilidade das pessoas dentro dos edifícios, mas para serem funcionais devem ser calculados para o tipo de utilização que os prédios vão ter.
É completamente diferente calcular os elevadores para um hotel, um prédio de habitação, um centro de congressos ou uma estação de metro.
No entanto o objectivo é sempre o mesmo. Que o tempo de espera no patamar não ultrapasse um determinado tempo.
Se alguém tem de esperar por um elevador mais do que um determinado tempo, isso vai provocar desconforto e irritação, sendo causa provável de menor desempenho profissional, menor apetência para concluir um negócio, ou aumentar a susceptibilidade para reclamar do serviço que se pratica no edifício.
Os edifícios com mobilidade vertical bem conseguida são mas acolhedores, confortáveis, funcionais e propensos à realização de bons negócios e de melhor harmonia entre utentes. Hoje em dia esses edifícios são valorizados e procurados por empresas e pessoas que querem um bom ambiente envolvente.
Mediante o tipo de edifício o especialista em elevadores vai tentar perceber como se vão comportar os seus utilizadores. Imaginemos casos muito simples que ilustrem as opções de decisão.
Dois hotéis. Um hotel que apenas trabalha com grupos (exemplo de alguns hotéis da Madeira que funcionam com “charters” e que por isso os hóspedes chegam num autocarro do aeroporto todos ao mesmo tempo), e outro que recebe hóspedes em auto-férias (e que por isso vão chegando espaçados ao longo do dia). Se estes dois hotéis tiverem a mesma configuração arquitectónica (número de pisos, etc.), mesmo assim é possível que os elevadores a instalar tenham de ser diferentes. No primeiro caso imaginemos que se teriam de instalar dois elevadores de capacidade para 13 passageiros, e no segundo caso a melhor solução pode passar por uma bateria triplex de 8 passageiros cada.
Um centro de congressos que reúne 2.000 pessoas num determinado piso, e que à hora das refeições quer transportar essa avalanche de gente para o piso superior onde se encontra o restaurante, tem de basear a sua mobilidade vertical em escadas rolantes e não em elevadores. Seriam necessários mais de 50 elevadores para garantir o mínimo de escoamento a uma situação deste tipo.
Num grande edifício de escritórios o cálculo dos elevadores é feito tendo por base o número de pisos, o número de postos de trabalho e o número de visitantes espectável. Mesmo assim, e essa é uma prática corrente em cidades em que há predominância de arranha-céus, por vezes tem de haver acordo entre os ocupantes do edifício para diferenciarem os horários de início e fim de trabalho para que se evitem aglomerados de pessoas em horas muito específicas do dia.
Nos prédios de habitação (e em Portugal isso acontece a maior parte das vezes, porque tradicionalmente os prédios são baixos – até 8 pisos), os elevadores estão sobredimensionados para as necessidades do edifício, e tirando situações muito pontuais, não há grandes problemas de mobilidade. Salvo quando há elevadores avariados. Mas é curioso que mesmo em prédios em que o cálculo dos elevadores está bem feito por vezes registam-se situações sistemáticas do elevador demorar demasiado tempo a estar disponível. Grande parte destas situações devem-se a três factores sobejamente conhecidos: 1- Limpeza dos elevadores a ser feita em horas impróprias (problema de falta de regulação das actividades do condomínio), 2- Utilização dos elevadores para “mudanças” em horas impróprias, e 3- Parâmetros de programação dos elevadores inapropriados para o edifício em questão (tempo de abertura e fecho de portas, etc.).
Voltado à questão do conforto que é transmitido a um edifício com os elevadores bem calculados, vou falar de um exemplo conhecido de um hotel do Sul de Espanha. Esse hotel tem a forma de um L e é constituído por dois corpos de quartos. Tal e qual como na letra L uma das alas é mais curta do que a outra. Na ala ocidental, que é a mais curta, há menos 6 quartos por piso (3 para o mar e 3 para terra) sendo o corredor mais curto cerca de 10 metros. Nesta ala os elevadores (que são dois) estão no centro do corredor, e por isso nenhuma porta de quarto dista mais de 20 metros do acesso aos elevadores. Na ala oriental, a mais longa, os elevadores estão colocados no topo do corredor, e por isso há quartos a mais de 40 metros do acesso aos elevadores.
Como as baterias de elevadores são perfeitamente iguais, o facto do número de quartos variar em 42 (são 7 pisos) faz aumentar o tempo de espera estimável em patamar de 32 para 58 segundos. Alia-se a isto o facto de as pessoas terem de percorrer uma distância muito grande entre o quarto e os elevadores.
A administração do hotel admirava-se que apesar de o serviço ser igual em todo o complexo, os hóspedes da ala oriental reclamavam 8 vezes mais do que os hóspedes da ala ocidental, até que descobriram a relação entre os elevadores e o desconforto dos hóspedes. As reclamações dos hóspedes causavam prejuízos estimados em dezenas de milhares de euros por ano.
Há cerca de 3 anos resolveram colocar mais um elevador a meio da ala oriental, eliminando para isso um quarto por piso. As reclamações baixaram para o nível dos da ala ocidental, e os prejuízos com reclamações baixaram 80%. O investimento pagou-se no primeiro ano.
Muito mais há a dizer sobre o cálculo de elevadores para um edifício. Decidir o número de elevadores a colocar, a sua localização, a sua capacidade, velocidade, tipo de comando, etc. deve ser um trabalho para o qual um arquitecto ou projectista deve ouvir a opinião de um especialista em elevadores. Uma boa mobilidade vertical faz toda a diferença, e para isto existe a HAPE.